A agricultura em Portugal desempenha um papel fundamental na economia sendo um dos verdadeiros alicerces de coesão social e territorial a nível nacional.
Apesar do contributo reduzido do setor para o PIB nacional (o VAB do complexo agroflorestal representou cerca de 5,1% do PIB em 2023 ), o setor assume uma relevância estratégica. Produtos como o vinho do Porto, azeite, cortiça ou queijos artesanais são emblemáticos, não apenas como parte da herança cultural portuguesa, mas também representando uma fatia importante das exportações nacionais, que atingiram 10,9 mil M€ em 20241.
Contudo, o setor enfrenta desafios significativos: alterações climáticas, a necessidade de práticas mais sustentáveis, a escassez hídrica em certas regiões do país, o recurso findável que a terra representa e a escassez de mão de obra. Estes desafios exigem adaptação e inovação.
A sustentabilidade é crucial. Nesse sentido, os agricultores portugueses têm adotado tecnologias de adaptação, como sistemas de irrigação mais eficientes e o desenvolvimento de culturas resilientes, conciliando a produção e a conservação dos recursos naturais.
Hoje ser agricultor é muito diferente de outrora: a agricultura atual faz a gestão rigorosa dos recursos disponíveis, com o objetivo de aumento de produtividade, redução de custos, melhoria da qualidade dos alimentos e preservação da natureza.
Do ponto de vista tecnológico, a digitalização do setor agrícola representa uma oportunidade: a implementação de sistemas de agricultura de precisão, que utilizam sensores e análise de dados (“big data”) tem permitido aos promotores mais inovadores (mão de obra mais qualificada) a otimização dos seus recursos, potenciando ganhos em eficiência.
Temos vindo a assistir a um crescimento significativo do interesse dos vários investidores nacionais e internacionais no setor agrícola em Portugal, sobretudo em áreas como viticultura, fruticultura, horticultura e produção de azeite, sinal claro da confiança dos investidores no potencial do setor agrícola português e na sua capacidade de se tornar ainda mais competitivo e sustentável no cenário global.
A agricultura é um segmento prioritário e estratégico para o BPI há mais de uma década. Desde 2012 que o BPI prossegue uma estratégia de especialização do setor, existindo atualmente uma Direção específica para a estruturação e dinamização do negócio do setor, com uma equipa de especialistas alocados ao território nacional. Esta abordagem é transversal, envolvendo as equipas de oferta comercial e análise de risco.
O BPI disponibiliza aos seus Clientes uma oferta completa e customizada, organizada para dar a resposta mais adequada de acordo com o contexto, as características de cada empresa e a exigência dos temas, incluindo soluções para apoiar a transição sustentável das empresas.
Para além da oferta e das equipas especializadas, o BPI reforça o seu apoio ao setor patrocinando as principais feiras agrícolas realizadas em Portugal, nomeadamente a Feira Nacional de Agricultura, a Ovibeja e a Agroglobal e organizando eventos como é o caso do Fórum “O Futuro da Água”, que promovem o diálogo entre todos os “stakeholders”, assim como a partilha de conhecimento e boas práticas.
Finalmente, e no âmbito da estratégia de dar visibilidade ao que melhor se faz em Portugal, destaca-se o Prémio Nacional da Agricultura, uma iniciativa do BPI e da Medialivre, com o alto patrocínio do Ministério da Agricultura, que este ano apresenta a sua 14ª edição no decorrer da Agroglobal.
José João Parrão
Direção de Financiamentos Estruturados – Agricultura
Banco BPI
28 de agosto de 2025
1) Fonte: GPP, gabinete de planeamento, políticas e administração geral.